Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006
(13) O DESABAFO

Desta vez o sujeito que coabita comigo saiu da linha.

Daí resultará uma briga e tanto.

De resto, e consultando os meus arquivos, a harmonia, se existiu, limitou-se à infância, tempo em que já mostrava aquele seu jeito de ser.

Ultrapassada essa época própria da inocente candura, iniciou o seu rosário de acusações à minha forma de estar, imputando-me o facto de nunca termos sido meninos de verdade.

No fundo somos um do outro e até penso que nos completamos, talvez até pela relação de tempestade e bonança e do seu vice versa. 
 
Nunca diria que a relação seja de amor-ódio, antes de amor-dor, de que ele, inexplicavelmente, parece tirar prazer.
Não faria sentido a vida de um sem o outro e até aceito as diferenças.
São sempre vantajosas na temperança dos actos. Conversamos.
Somos Balança, supostamente equilibrados, disciplinados e outros ...ados.
Por tal não cai bem, o abuso de que ele faz constante uso. Garantes do signo ficam apenas os meus actos.
As tarefas são concretas: a ele cabe seduzir e cativar, a mim manter e sustentar. Deste meu trabalho indispensável à continuidade, obviamente não transparece o charme.
Semelhança a esta aridez, só encontro no trabalho anónimo das lidas de casa, tanta canseira feita e desfeita, nunca concluída nem reconhecida.
Claro não estou a puxar a brasa à minha sardinha. Só queria um pouco mais de respeito e reconhecimento.
Gostaria que, deitado eu, para repousar e cuidar desta nossa morada, não viesse dos seus devaneios, donde por vezes regressa tantas da noite, e inopinadamente, sem nada me contar ou discutir essas aventuras virtuais, me obriga a pegar na caneta ou a digitar directo ao PC, as extravagancias imaginadas nos seus delírios.  
Gostaria reconhecesse não poder satisfazer esse vicio sem mim... retirando arrogância, intolerância, petulância ou outras ...âncias de que é tão fecundo.
 
Sim. Mas isto já vai longo e a causa do desabafo por esclarecer. 
Vamos lá.
Sorridente, simpático, mordaz, dizia que eu, bastas vezes no passado, “nos” obrigara a vestir a pele do animal (e isto no sentido pejorativo, não tendo o burro culpa, antes havia de merecer reconhecimento dos (des)humanos que o escravizam e exploram).
Ferido, amesquinhado, contestei, sem grande convicção, rebatendo o exagero.
Levou-me lá ao fundo a rever algumas cenas das fitas do nosso comum passado noutro espaço temporal, em que também ele próprio me dava mais facilidades.
Tinha razão. Estava demonstrado.
Ele sabia, porém, ter sido a necessidade da continuidade e no contexto de então.
Perdi. Foi cruel, nem mostrou compaixão.
Valerá a pena entrar na senda da mesquinha vingança e deixar de lhe passar textos ?
Meditarei...e vou ter em conta a solidão. Não vivo sem ele.               


publicado por preconceitos às 09:57
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17 comentários:
De Di a 24 de Outubro de 2006 às 12:07
Quem disse que os Balança são supostamente equilibrados .... talvez esteja equivocado. Todos os signos nos oferecem um desafio de aprendizado e não um dado adequirido. O repto do Balança é precisamente aprender o equilibrio....
Não, não entres na senda da mesquinha vingança, deixa isso para o Escorpião ( o signo zodiacal mais fascinante, na minha modesta opinião, mas o que mais tem que aprender sobre essa ilusão).
Continua, please !


De preconceitos a 24 de Outubro de 2006 às 19:01
Oh Di e eu a julgar que era um tipo certinho !


De Di a 24 de Outubro de 2006 às 21:39
Depende do pre-conceito sobre "certinho"...
Neste caso até és muito.....encaixas-te num verdadeiro Balança !

Talvez o segredo seja deixares de lutar contra ele, abrir os braços e permitir que se aconchegue, bem quentinho e junto ao teu coração....quem sabe, talvez.... o malando e indesejável seja também digno de amor e compaixão e se aquiete uma vez que lhe seja reconhecido o direito de existir...



De yuki a 24 de Outubro de 2006 às 20:54
Depois de ler o teu texto fico com a sensação que falamos da mesma pessoa, uma única pessoa...

Tv se deva ao facto de eu ser do signo Virgem e passar o tempo a analisar tudo (:


De Di a 24 de Outubro de 2006 às 21:45
"Analisar tudo" e "Fico com a sensação"...
Deve-se mesmo ao facto de seres Virgem, não duvides


De preconceitos a 25 de Outubro de 2006 às 10:38
Apesar desta minha visão da vida, ainda vou acreditando em corpo e alma coabitando. Quando se separam, acontecem chatives tremendas.


De preconceitos a 25 de Outubro de 2006 às 10:40
O João ofereceu-me a carta astral. Foi com ternura mas ralhei com ele. Só diz bem. E eu conheço o chato que sou.
Se ma queres fazer tens de prometer maldizer


De Di a 25 de Outubro de 2006 às 14:44
Quem tem que saber se quer fazer a carta astral és tu. Eu estou disponivel, com o maior prazer, mas o "querer" é teu, senão não resulta.
Maldizer é talvez pouco apropriado. Não há mau nem bom, há sim caracteristicas inerentes á maioria dos seres humanos que são mais faceis e fluidas e outras mais dificeis e tensas, mas não passam disso. A idéia é tomarmos consciencia das nossas tensões e bloqueios, e aceitando-as aprendermos a lidar e a (com)viver melhor com elas....Fico à tua espera, quando quiseres!


De Di a 26 de Outubro de 2006 às 15:12
Corpo e alma ? Ou Ego (razão) e Emoção ?


De preconceitos a 26 de Outubro de 2006 às 17:22
No fundo é o que queiras. Sou eu e ele... Só que me parece que as mordomias vão todas para ele...
Ele é que vagueia na noite e parte dos sonhos não me dá conta. Enfim é assim uma espécie de vida de lord e mordomo, só que o mordomo é que se lixa com as tarefas árduas. No fundo faz-me falta


De Di a 26 de Outubro de 2006 às 22:05
As tarefas árduas são responsabilidade do mordomo. É através delas, tão temporais e mundanas, que lhe é facultada a Ele a experencia que burila e aperfeiçoa o que é eterno, ou seja Ele.

Se lhe queres chamar corpo e alma, eu diria que o meu corpo faz parte de mim, mas....mas...eu não sou o meu corpo....tal como o mergulhador veste um escafandro para descer ao fundo do mar, assim vesti eu um corpo para vir a terra. Mas...é bom que o respeite, honre e cuide dele porque tal como o mergulhador, um boraco no escafrandro e ...."ta tudo lixado", o fato ja não vai servir para o proposito para que foi confeccionado....


De solcar a 27 de Outubro de 2006 às 10:11
Obrigadinho. Acabas sempre por me dar razão.
Quem se lixa sempre é o mordomo.´
E, segundo pensas, o outro vai procurar outra "casa".
Resumindo: vai chatear outro. Dá-lhe umas migalhas. ilude-o, serve-se e... a qualquer falha... pontapé no "dito".
Moral da história: não seria melhor sermos o outro ?
Eu desempenharia um papel mais benévolo.


De Di a 27 de Outubro de 2006 às 20:43
Mas claro que somos o outro....porque duvidas ? O mordomo tem um periodo de validade limitada e claro que quando deixa de fazer falta, quando a sua missão acaba, "volta para o pó de onde veio"..... Nada de apegos, nem de nos identificarmos com o mordomo ! Ele é necessario, só isso....
Como experienciarias a morte (e a vida...embora nunca tenhas parido!), a perda, o cansaço, o descanso, a fome, o amor fisico (para o saberes distinguir do Amor Incondicional), um abraço caloroso de amizade....tenho que parar. ....Como ? Diz-me !


De preconceitos a 28 de Outubro de 2006 às 09:45
Diz um velho sábio que, quando o discipulo está preparado, o Mestre aparece.
Como Maestrina terás de me dizer se um dos dois gostar/amar alguém, qual deles é ?


De Di a 28 de Outubro de 2006 às 16:29
Quem me dera ser Maestrina....Cada vez mais e mais Eu só sei que nada sei....

Qual dos dois ? Parece-me que depende da forma do teu gostar/amar...

Isto é só uma sugestão, mas pensa comigo, em alguns casos o mordomo inicia de uma forma pragmatica o que depois se torna eterno, e outras vezes Ele já o sente e o mordomo serve apenas para materializar o eterno...depende da evolução d'Ele, do que escolheu experienciar, e do género de mordomo por que optou para tal.

Tu vestes o fato adequado e sentes consoante as circunstancias. Se vais a praia usas fato de banho e é uma experiencia de relaxe e prazer brincalhão. Se vais a uma reunião de trabalho possivelmente usas fato e gravata e sentes seriedade, responsabilidade etc...
Mas, no fundo quem sente és sempre tu, ou seja Ele
Acho que estamos aqui a falar da gruta do Platão.....o mordomo é só uma ilusão para situações ilusórias....a realidade mesmo ......é Ele !


De solcar a 30 de Outubro de 2006 às 10:09
Queres é baralhar-me.
Se ele não se vê--- e é a minha preferencia, então qual a necessidade de andar vestido
Para esse tema tens é de seguir o conselho: abre o blog


De Di a 30 de Outubro de 2006 às 21:51
Parece-me é que tu te baralhas sózinho...a necessidade de andar vestido ja te expliquei acima, vai ler de novo....
e, ja agora...só acreditas no que vês....????

Qual blog nem meio blog....o teu é porreiro...


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